sexta-feira, 4 de abril de 2014

Abraço do Mar

Sentou-se na areia, olhava fixamente o mar.
O reflexo das águas se confundia na cor de seus olhos úmidos.
Suas pequenas lágrimas levadas pelo vento tornavam-se parte daquela imensidão que era quase tão grande quanto sua dor.
O Mar, como um velho amigo, convidava.
Aceitou seu convite e seguindo os passos de Alfonsina deixou-se levar.
Recebeu o abraço frio das águas, que como tantos outros, dissimulava amizade.
Entregou-se de Corpo e Alma.
Jamais voltaria a se preocupar por seus olhos úmidos.
Corpos úmidos não se preocupam!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Consumo Proibido

Naquele momento em que se abraçaram ele percebeu que a possuía. Ela o amava e os dois já não se importavam quanto ao amor proibido. Ela era dele, ele era dela, só isso importava, nada mais.
Naquele abraço, naquele pouso sobre a mesa onde ele a recostou e se acomodou entre suas pernas de maneira provocativa. Os dois cedendo a tentação, os dois querendo a tentação. Se consumiram, até que virassem chamas. E das chamas, cinzas. E das cinzas, nada.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Final Feliz

- Eu gostaria de dizer que tudo vai melhorar, que daqui pra frente vai ser mais fácil, que pode ser diferente... mas eu não costumo falar coisas nas quais eu não acredito.
       Ela levantou os olhos e por um momento a imensidão dos olhos dele abraçou-a e refletiu-se em seus próprios olhos e os dois se perderam. A vida não era justa e o amor tampouco.
Já não haviam mais palavras a serem ditas e ao mesmo tempo havia tanto a se dizer.
       Ele abaixou os olhos, já não queria suportar a imensidão e o vazio, não existia mais dor, não existia mais nada. Era apenas o fim, um fim sem recomeço, um fim sem final feliz...

terça-feira, 9 de julho de 2013

Uma Vida Morna

E a vida continua, normal como sempre mas não por culpa própria. Seu personagem principal é que se tornou morno e acabou por torna-la desinteressante.
E ela grita, berra e se debate tentando mostrar sua vivacidade, tentando fazê-lo viver!
Mas ele, não vive. Apenas mantem-se vivo e isso paradoxalmente os mata.
Até que dessa vida morna reste apenas seu corpo frio.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Eu posso ser...


Eu posso ser um amor se você me agradar
Eu posso ser um horror se de você desgostar
Eu posso ser um ardor se você provocar
Eu posso ser um ator se você representar
Eu posso ser um temor quando contigo brigar
Eu posso ser um licor e a você embriagar
Eu posso ser um tumor se você me magoar
Eu posso ser um primor pra você admirar
Eu posso ser um rancor se de você me afastar
Eu posso ser um pecador se de você me aproximar
Eu posso ser um sedutor se você souber me olhar
Eu posso ser um professor e a você ensinar
Eu posso ser um simples senhor se de você eu cansar
Eu posso ser um grande autor só pra você me aclamar
Eu posso ser um sonhador e nos meus sonhos te amar!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

As Vezes Penso!

As vezes eu penso em quantas coisas acontecem ao meu redor e eu não vejo, não sinto, não percebo. Quantas pessoas passaram por mim? Quantos sorrisos eu deixei de ver? Quantos olhares eu não percebi? Quanto afeto eu deixei de ter? Quantos sorrisos meus não foram vistos? Quantos olhares intensos não foram sentidos? Quanto afeto e carinho não foram percebidos? Quantos sentimentos nós deixamos perdidos? Como a falta de percepção nos deixa tão abatidos? Quanto tempo falta para que tudo volte a fazer sentido? Quanto tempo falta pra você ver o que passou despercebido? Que não seja tarde de mais para recuperar o tempo perdido.